As árvores não respondiam, estava sozinha no meio do nada, ouvia apenas o estalar das folhas, os pássaros…deixei cair uma lágrima, o medo apoderou-se do meu corpo, mas não deixei que me controlasse e permaneci naquele lugar, procurava ajuda de alguém, mas ao mesmo tempo os meus olhos pediam para não ver ninguém… os meus ouvidos ganharam ódio a todas as vozes, os meus lábios saboreavam cada lágrima, perguntava-me porque, se seria loucura fazer tal coisa, não quis pisar outro chão durante horas, aquele lugar era tranquilo! As cores pintavam todo o meu mundo, apenas algo se mantinha constante e teimava em não mudar de cor, era preto, nem em branco se deixava pintar. Apunhalei tal teimosia, deixei o sangue escorrer, deixei que fosse desta forma que ele ganhasse cor… depois, ouvi passos, (…) os meus ouvidos deixaram de ouvir, os meus olhos fecharam-se, os meus braços abraçaram as pernas, o barulho das folhas a serem pisadas tornava-se cada vez mais forte, mas eu fingi que não ouvia, fingi que não sentia , fingi como sempre, mas eu estava com medo ! (…) senti uma mão no meu cabelo, senti um abraço forte, faltava-me coragem para olhar para trás, a minha cabeça permanecia apoiada nos joelhos, mas os meus ouvidos deixaram-me ouvir aquela voz, o sangue estancou, eu não acreditei ! Não quis sair dali, (…) e ainda hoje “visito” aquele lugar.
Tão depressa te agarro com as duas mãos, como te deixo fugir por entre os dedos… por mais que eu tente, não consigo ter forças para suportar o peso de cada parte de ti, por mais que eu sonhe, não consigo reter todos os grãos de areia em minhas mãos… Com a ajuda de gotas de água tento tornar consistente aquilo que nunca vai ser um castelo perfeito, aquilo que nunca vai ser a casa dos meus sonhos, isto, porque tu de uma forma delicada sopras e parte desse sopro enfraquece tudo aquilo que tento construir… prometi nunca mais “matar a sede aos meus lábios” mas essa promessa foi quebrada… fiz de mim, e do meu corpo uma pedra, onde os sentimentos não existiam, no entanto, eles estão presentes e tu finges que não os sentes… tenho pena !
o teu jogo é aquele que mais odeio, por isso, estou a deixar que sopres e não gasto tempo a reconstruir o que apenas eu quero construir … 


Sim, cansei-me !

 Matilde cruzou os olhos com Rodrigo e por momentos sentiu o bater de seu coração interrompido, e nesses breves instantes viu desenhados episódios, vontades e palavras que queriam ser pronunciadas, no entanto, continuou o seu caminho, sem nunca fazer os seus olhos cruzar os seus ombros, as palavras que deixava sair em silêncio doíam-lhe na alma, ouvia o som de portas a bater, chaves a rodar na fechadura, gritos loucos, lágrimas de pedra a embater no chão, até que se relembrou que poderia voltar a cair de joelhos, e nunca mais conseguir cicatrizar as feridas de tal acontecimento. Com os seus característicos passos curtos, com a sua respiração irregular, com o seu coração a uma velocidade louca, com os seus olhos mergulhados em água, com o seus cabelos a pedir um toque suave, voltou a retroceder no tempo – voltou a sonhar… 

Deixava na areia duas pegadas bem definidas, e via outras duas maiores sempre a segui-la, como sempre Matilde não teve medo… a um certo instante fez o seu corpo congelar, e quis ver se as pegadas que a seguiam continuavam caminho… nada, nem sinal daquelas duas pegadas que até àquele instante seguiam as suas pegadas.
 Sentou-se na areia, olhou o mar e deixou que os seus pés saboreassem a gélida água de um dia de Outono. O mar trazia consigo todas as recordações,  e a dor fazia-se sentir em seu corpo. Matilde levantou o seu corpo para não abrir um livro fechado em tempos, mas enquanto o fazia … ouviu uma voz atrás de si: - “Matilde,” , teimou em não olhar para traz, mas permaneceu quieta a olhar o mar: -“Matilde, por favor”.  Soltou com medo palavras por entre os seus lábios já embebidos em lágrimas: - “Não Rodrigo, não”, sentiu uma mão a deslizar desde o seu cabelo até à sua anca, fechou os olhos: - “Tu sabes que eu ainda te amo”, beijou-lhe a face mas as pestanas de Matilde continuavam unidas: -“Matilde, fica comigo, como sempre o prometemos”. Caiu na areia, enterrou a sua própria vida depois de disser: “Eu sempre te amei Rodrigo, mas tu desapareceste”.

…mas afinal tinha sido apenas um sonho, mais uma vez!





O jogo era ilegal, no entanto quis caminhar entre ruas estreitas e mal construídas para chegar ao casino… e no silêncio dos meus passos, os meus olhos avistavam se algo me perseguia, tentava disfarçar fazendo do meu jogo algo impossível de eu entrar, fazendo daquelas ruas destino do nada, mas na verdade esse destino levava-me a um vicio que eu pensei um dia controlar. Hoje sei que não tenho poder de controlar o meu corpo, hoje sinto que aquele vicio me vai corroer e eu vou voltar a cair no erro de matar a sede aos meus olhos… as pernas teimam em seguir minuciosamente aquele caminho, a minha respiração a cada dia que passa torna-se mais cansada e ofegante… pelo caminho ainda encontro pessoas que dizem que esse vicio é saudável, mas eu digo que esse vicio é saudável quando é jogado a dois… quero matar o jogo na minha vida, quero perder tudo que me deste, quero esquecer tudo que não existiu, quero lançar os dados e nunca mais seres uma das faces. Sinto-me cansada, exausta, já não tenho vida para jogos destes… mas por este jogo eu dava tudo, por este jogo eu perdia tudo!


Coisas banais como simples jogadas para ti não significam nada, e para mim são tudo, talvez por isso tenha desistido. Já não faz sentido, porque eu sei que um dia serei julgada por ter jogado este jogo ilegal.
Durante a noite agarrei na tua mão, com simples toques fiz-te caminhar comigo até junto da lua. Depois de uma longa viagem, fiz o teu corpo sentir a forma da lua, esperei momentos e momentos, até tu perceberes que a forma que sentias, era a mesma que eu sentia. Deixei que sentisses o tempo passar, (…) sinto-me na obrigação de te levar vezes sem conta à lua, sinto-me na obrigação de um dia ter coragem de arrancar uma estrela do céu só para ti, não me vou cansar de tentar faze-lo, e no momento que o fizer, serás tu a fazer a escolha, ou permites que essa estrela seja a mais luminosa de todas as outras, ou fazes com que ela viva com a luz que já possuía. (…) Eu apenas visitei uma vez a lua, e lá deixei pegadas que julguei nunca serem apagadas, mas quando lá voltei contigo já não existiam sinais delas, apenas olhava para o rasto que deixavas e via que tinhas tanto poder, como em tempos alguém teve ! Talvez por isso esteja com forças de arrancar a tal estrela, e deixar-te cuidar dela * 


Aos poucos e poucos dás-me energia para a remover

Num sonho,


...lá estavas tu disfarçado, és o maior segredo e o ser mais importante do meu mundo, do meu sonho! De todas as vezes que escrevo para ti, sinto os teus braços envolverem o meu corpo, enquanto deixo as palavras saírem sem qualquer lógica, e faço os sentimentos desenharem o quanto te adoro. Ás vezes nem eu percebo simples esboços que os meus dedos contornam, mas tenho a certeza, que todas as palavras que desenho são puras, porque realmente fizeste do meu mundo uma complicação de cores, fizeste da minha vida uma música, e eu agora adormeço todas as noites com a imagem dos teus olhos, com o toque das tuas mãos e com a pronuncia destas palavras : “gosto de ti”.Sabes? Por mais que eu goste de ti, não te consigo tirar a venda que te coloquei nos olhos, não consigo fazer-te entender tudo que o meu coração te quer mostrar, (…) tenho medo, medo de perder o que não é meu, medo de perder tudo que é pouco! Com as minhas mãos tapo a minha própria boca, deixo o silêncio ocupar o lugar de palavras, para tu não entenderes nada, mesmo que eu queira que entendas! (…) nem imaginas como é bom sentir o calor da tua voz, aconchegas-me mas no momento a seguir vejo-te partir por longos instantes , mas voltas sempre ! O tempo não sabe nada, mas tu fazes com que ele mande! Manipula-lo de uma forma suave, nem ele próprio entende que andas disfarçado, eu vejo-te acima do mundo, e enquanto houver estrada para eu caminhar , eu vou caminhar, venham tempestades, buracos, calor, frio, furacões, e sei lá mais o que, eu vou rastejar e fazer de tudo para te desatar a venda que te coloquei nos olhos e veres tudo que eu sinto, tudo que me fazes sentir, (…) quem sabe irás saborear o quanto de adoro e depois ? Deixo o mundo parar, seja qual for a decisão, apenas quero fazer-te feliz! Eu adoro o teu olhar inseguro, adoro o teu sorriso enternecedor, adoro a tua preocupação momentânea, adoro o teu respeito exagerado, adoro cada passo que dás na minha vida e a forma como deixas cada pegada, aquelas que nem o vento consegue levar, que nem as lágrimas conseguem disfarçar!

As saudades passaram a loucura, os momentos vem à cabeça, os teus lábios continuam a envolver os meus daquela maneira tão subtil, a tua língua continua a percorrer o meu pescoço de uma forma enternecedora, as nossas mãos permanecem imunes a qualquer tempestade, o nosso sorriso envolve o mundo, o teu toque continua em mim, a tua loucura pelo meu ombro ainda é arrepiante, o delírio chegava, o desejo em te ter bem junto a mim controlava o meu corpo de uma forma invulgar e inexplicável, o teus beijos nas bochechas eram como um rebuçado que recebia enquanto criança, os olhares de canto eram formas de te provocar, a maneira de te tirar do sério era humilde, sincera! Os dias eram tão curtos, as horas passavam a correr e nós corríamos atrás delas feitos tontos no nosso mundo, até que o telemóvel tocava e lá tinha eu que correr para a cama e tu para a tua, mas mesmo assim a comunicação entre nós nunca terminava, era tudo tão forte!
(?) Mas quantas vezes chorei abraçada a ti de tão feliz que estava, quantas vezes te arranquei um daqueles abraços só porque tínhamos tido um mau momento, quantas vezes as nossas lágrimas se juntaram, quantas vezes repetimos a palavra mais vulgar e cruel hoje em dia, quantas vezes te pedi coisas que pensei possíveis, quantas vezes te acarinhei de uma maneira que só tu conseguias despertar em mim, quantas vezes sonhamos mais alto que o céu, (?) eu era feliz, ao ponto de virar artista e pintar o que nunca terei coragem de pintar para mais ninguém, (…) e por mais que tenha sido uma historia dolorosa eu juro que fui feliz, mas apenas eu carreguei a cruz, a vida prosseguiu  e eu continuava, arrastando-me, as vozes chamavam por mim, os gritos diziam “força”, e lá fui eu rastejando por entre calçada embebida em sangue, caminhos em pó encharcados com o suor, buracos preenchidos de dor, alcatrão com vestígios de pele , mas eu consegui, e agora orgulho-me de dizer: eu consegui, eu cheguei ao fim! Agora só preciso de carregar com a saudade , o resto é –me indiferente! Foi um passado, aprendi, cresci mas (re)vivo cada momento sempre que quero, e por mais raiva que te tenha ainda elogio as tuas virtudes mas ainda te dito teus defeitos, mas quando passar por ti da minha boca vão sair as palavras que tanto de desejo, sem qualquer inveja, porque eu sou assim, apesar de tudo –‘ mas chega de jogadas , porque já desisti do teu jogo! “Já não existem promessas, foram quebradas, ya?” Já não faz sentidos certas palavras, certas coisas ditas! Pode ser que um dia me abraces, e fique uma amizade!

Passei passo a passo a linha mais comprida do meu mundo, caí vezes sem conta, rasguei e voltei a cozer, impediram-me de me atravessar à frente do fim, voava com quem me ajudava apenas por meros instantes até que me deixava cair propositadamente, a fome chegava, a sede contraia o meu corpo, já não fazia sentido tentar chegar ao que não conseguia alcançar, era apenas uma luz, corri, saltei, chorei e morri de saudade! Agora peço para sair da linha, peço para me levarem (…) e assim conheci estradas, caminhos e lugares onde tudo fazia sentido, respirei e gritei mais uma vez! Era um mundo diferente do que conhecia …